Você fecha o livro. Respira. E não consegue ir embora.
Porque a história acabou, mas alguma coisa ali ficou. Em você. Ocupando espaço, mudando a iluminação do dia, aparecendo no meio do almoço sem avisar.
Os personagens viram quase parte da sua rotina, gente que você nunca conheceu, mas conhece melhor do que muita gente real. E do nada você se pega pensando: o que será que ele estaria fazendo agora?
É difícil de explicar. Mas quem lê, entende sem precisar de explicação.
Esse apego não é sobre a história. É sobre o que ela fez a gente sentir. Sobre o momento da vida em que ela chegou. Sobre o vazio específico que só ela deixa.
Aí começa o luto silencioso de todo leitor.
Você procura fanarts, passa horas no Pinterest, assiste edits, lê teorias, entra em comentários só pra checar se alguém sentiu o mesmo. E quando encontra alguém que sentiu, dá um alívio que é quase físico. Porque aquela história não existiu só dentro de você.
Mas tem uma parte que a gente não fala muito.
Quando um homem fala com paixão sobre o time, sobre carro, sobre qualquer coisa que ele domina, isso é interesse. É conhecimento. É admiração.
Quando somos nós, mulheres, falando com esse mesmo brilho nos olhos sobre um livro, um personagem, uma história, de repente vira demais.
"Você é muito obcecada." "É só um livro."
É impossível não lembrar de The Man, da Taylor Swift. Porque se fosse o contrário…será que seria visto da mesma forma? Não era. Não é. Nunca foi.
Nós sabemos que é sobre sentir e se envolver por inteiro. É sobre viver outras vidas sem sair do lugar, e não ter que pedir desculpa por isso.
Se apegar, sentir falta, revisitar, falar, pensar às três da manhã num personagem fictício… isso é conexão.
Então não. Você não precisa superar rápido. Não precisa fingir que não se importou tanto assim.
Tem livro que a gente termina, mas não acaba. E talvez o mais bonito seja justamente esse não acabar.


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