Uma aposta, uma bartenderzinha e dois idiotas que demoram muito pra perceber o óbvio. | Resenha: Sorte No Amor
Existe um tipo específico de livro que você começa numa sexta-feira à noite sem pretensão nenhuma e termina no sábado de manhã com o coração ridiculamente cheio. Sorte No Amor é exatamente esse livro. Lynn Painter sabe muito bem o que está fazendo e faz com uma desfaçatez deliciosa.
Avaliação:
★ ★ ★ ★ ☆ - muito bom, ótimo
A premissa é a seguinte: Hallie Piper e Jack Marshall se conhecem numa festa de casamento, acordam juntos num hotel sem conseguir lembrar direito do que aconteceu (spoiler: eles lembram sim, os dois mentem), e de alguma forma se reencontram num aplicativo de relacionamento semanas depois. Daí nasce a aposta mais idiota e mais adorável da literatura romcom contemporânea, quem encontrar o amor primeiro ganha: ela leva milhas e hotel de graça, ele leva uma bola de beisebol autografada pelos Cubs que vai deixar o pai em lágrimas no Natal.
Parece bobo? É. E é perfeito.
Hallie e Jack conversam como duas pessoas que se encontraram no momento exato certo das suas vidas, cheias de cicatrizes, fartas de app de namoro, querendo amor de verdade mas assustadas demais pra nomear o que já está acontecendo entre elas. Os diálogos são elétricos. Jack chama Hallie de "Bartenderzinha" com uma ternura que ele nega com tudo dentro de si. Ela o chama de tarado, de obcecado, de idiota e cada apelido carrega mais afeto do que qualquer confissão direta.
A construção da amizade deles é o coração do livro. Eles vão juntos a encontros horríveis (o dentista que chama os cachorros de filhos gêmeos, a mulher que quer ser tratada literalmente como rainha), somem nos banheiros pra se atualizar, fogem pra tacos quando a noite vai mal. É essa cumplicidade, e não a tensão sexual, que vai fazer você virar as páginas sem conseguir parar.
Quero passar o resto da minha vida com a minha pessoa preferida. A pessoa que me faz rir, que me entende, que gosta de como eu penso.
O que tira meia estrela: O terceiro ato arrasta um pouco. As duas semanas de silêncio entre eles existem mais pra criar conflito dramático do que por qualquer coisa que faça sentido nos personagens que a gente acompanhou. E o mal-entendido em torno do Alex dura um capítulo além do necessário, a gente já entendeu, Lynn, pode deixar eles ficarem juntos.
Mas honestamente? Quando chega a cena da chuva com a confissão mais torta e humana de que ele "acha que está apaixonado", e ela chama ele de Darcy sendo passivo-agressivo numa tempestade, e ele a chama de Mr. Collins por não conseguir ouvir enquanto fala demais, tudo fica perdoado. Porque é exatamente assim que as pessoas reais se declaram. Bagunçado, impreciso e verdadeiro.
Sorte No Amor não reinventa a romcom. Mas executa ela com tanto charme, tanto calor e tanto respeito pela inteligência da leitora que você não sente falta de nenhuma subversão. É o tipo de livro que vai direto pra prateleira de "reler em dias ruins" e isso, convenhamos, é o maior elogio que existe.
Até o próximo post!
Beijuxxx,
Bea.🍒
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