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Resenha: Jogo De Amor Para Dois: o único jogo que eu não queria ver acabar.

 Aviso Rápido: O livro tem cena explícita, não é pra ler em voz alta no almoço de família, ok? E se você for menor de 18 anos essa resenha não existe pra você!

Tem livro que você lê. E tem livro que sequestra seu sistema nervoso central por menos de 200 páginas e devolve uma versão sua ligeiramente pior, mais obcecada por nerd de óculos de armação quadrada e cachos pretos, mais incapaz de assistir a uma dinâmica rivais-que-se-atraem sem comparar tudo com Jesse Andrews. Jogo de Amor para Dois, de Ali Hazelwood, é esse segundo tipo de livro.

Viola é game designer na FlyButter, um estúdio indie de Seattle brigando pela vida pra fechar o terceiro jogo de uma franquia que ela ama desde criança, a mesma que o pai lia pra ela em voz alta e que, anos depois, ela passou a ler pra ele, quando a visão dele começou a falhar. Só que tem uma pedra no meio do caminho: pra fechar negócio, a FlyButter precisa se aliar à Nephilim, estúdio rival, cheio de gente com quem Viola tem, digamos, histórico. E no topo dessa lista tá o Jesse Andrews, o designer-estrela de lá, o cara que a defendeu numa entrevista de emprego catastrófica anos atrás. Spoiler: ela nunca esqueceu o rosto dele.

Viola é o tipo de protagonista que a gente tava merecendo: ansiosa, competente, engraçada sem forçar a barra, e cansada (genuinely cansada) de provar duas vezes mais numa indústria que ainda pergunta se ela gosta mesmo de videogame ou só finge pra impressionar namorado. Tem uma cena logo no início, numa entrevista de emprego, em que um cara chama o portfólio dela de "coisa de menininha" e é ali, nesse desconforto muito real, que Ali Hazelwood deixa claro que isso não é só um romance fofo sobre nerd se apaixonando. Tem crítica social embrulhada em gelo e sarcasmo, do jeitinho que a gente gosta.

E Jesse Andrews. Meu Deus. Jesse Andrews é o tipo de crush ficcional que devia vir com aviso na contracapa. Óculos, cachos pretos, ombros que sugerem que decisões esportivas foram tomadas em algum momento da vida e uma frieza toda calculada de "ex-capitão de time que virou nerd-chefe" escondendo, muito mal, um cara que nunca parou de gostar dela. É a fórmula clássica do grumpy que na real é golden retriever disfarçado só que a Ali Hazelwood escreve isso tão bem que dá pra perdoar o quanto é clichê.

E tem uma cena, você vai reconhecer na hora, em que Jesse fica de porre depois de uma sessão feia de jogo de beber com Red Dead Redemption 2, Viola precisa arrastá-lo escada acima pra deixá-lo na cama, e no meio do processo ele segura o pulso dela e, com uma voz que de repente soa sóbria demais pra ser coincidência, deixa escapar tudo que vinha guardando havia anos. E apaga na sequência claro, porque esse universo tem senso de humor cruel. É o tipo de cena que só funciona porque a gente já sabe, faz capítulos, que ele tá segurando aquilo. E quando finalmente sai, sai completamente erradooo (bêbado, incompleto, no momento inconveniente) e é exatamente por isso que dói um tico rs. Isso é conteúdo direto da era folklore da Taylor, só que com mais Red Dead Redemption e menos cardigãs.

Agora, a real: 169 páginas não dão conta do tanto de mundo que Ali Hazelwood constrói aqui. a indústria de games, o retiro corporativo, a dupla cômica entre Mike e Otto os CEOs dos dois estúdios rivais, com um histórico igualmente bagunçado e hilário, a franquia Limerência carregando todo aquele peso emocional... tudo isso merecia respirar mais. Eu queria umas 300 páginas. queria mais capítulos de tensão antes da resolução, queria sentir a intimidade crescer devagar em vez de sentir o livro correndo pro final. Tem "curto" que é econômico e tem "curto" que é incompleto esse aqui, pra mim, foi o segundo. Eu quero mais de Jogo De Amor Para Dois, dona Ali Hazelwood!!!!

♡⋆˙ avaliação:

★ ★ ★ ★,5 - muito bom, ameeeei!! 

A meia estrela a menos não é pela escrita, que é ágil, engraçada, sabe exatamente a hora de parar de brincar e apertar o peito, é pelo tempo que eu não tive com esses personagens. Ali escreveu um livro gostoso demais pra ser tão curto assim.

Se você também sair dessa leitura precisando de uma sessão de Red Dead Redemption, Limerência e de um Jesse Andrews particular, sabe onde me achar! 🍒

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